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Golfinho
Fernando de Noronha


Desde a época do descobrimento existem relatos da presença de golfinhos no arquipélago. Nos últimos dez anos, o número sempre crescentes de visitantes à Baia dos Golfinhos foi identificado como uma possível forma de impacto.

Projeto Golfinho Rotador

A Lei Federal nº 7643 protege todos os cetáceos da costa brasileira, mas tornou-se uma regulamentação específica sobre a presença dos cetáceos dentro da Baia dos Golfinhos.

Em 1996, os estudos preliminares deram suporte à Portaria do TFFN/EMFA que protejeu

definitivamente a enseada. em agosto de 1990, teve início ao Projeto Golfinho que é mantido pelo centro dos Golfinhos rotadores.

A alta freqüência de Golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha, a falta de informação sobre o comportamento e a dinâmica de população destes animais e a eminência do crescimento desordenado do turismo para observar golfinhos levaram a criação do Projeto Golfinho Rotador em 23 de agosto de 1990.

O principal objetivo do Projeto Golfinho Rotador é preservar o hábito dos rotadores de virem ao Arquipélago, estudando o comportamento natural destes animais, avaliando a interferência antrópica e propondo as Instituições competentes normas que minimizem o impacto do turismo marítimo para observação
de golfinhos e da captura acidental de cetáceos em artes de pesca.

A execução do Projeto Golfinho Rotador é resultante de uma parceria entre o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha/IBAMA, o Centro Mamíferos Aquáticos/IBAMA, o Fundo Nacional do Meio Ambiente–FNMA/MMA, a Universidade Federal de Pernambuco–UFPE, a Universidade Federal de Rio Grande–FURG, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, a PETROBRAS e o Centro Golfinho Rotador.

Em função de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Centro Mamífero Aquático/ IBAMA/MMA e o Centro Golfinho Rotador, em agosto de 1999, o Centro Golfinho Rotador ficou responsável pela execução das atividades de pesquisa, conservação e manejo de cetáceos na região do Arquipélago de Fernando de Noronha.

Nesses dez anos, temos grandes avanços, entre os quais destacamos:
- Econômicos

Divulgar e estimular o turismo para observação de golfinhos;
- Turísticos
Aumentar o grau de informação sobre golfinhos dos guias turísticos;
- Educativos ambientais
Aumentar a consciência dos ilhéus e visitantes da necessidade de se preservar os golfinhos e a natureza de uma maneira em geral;
- Conservacionistas
Propor e subsidiar tecnicamente a criação de uma portaria específica para preservar o hábito dos rotadores utilizarem Noronha para descansar, reproduzir e criar seus filhotes (Portaria do IBAMA n° 05 de 25 de Janeiro de 1995);
- Científicos
Descobrir e divulgar qual a principal utilização da Baía dos Golfinhos pelos Golfinhos-rotadores (descanso); descrever para a espécie Stenella longirostris os comportamentos de descanso, reprodução, guarda e amamentação em ambiente natural; definir e correlacionar parâmetros ambientais e antrópicos com a presença dos rotadores na Baía em Fernando de Noronha ao longo de 10 anos.

Informações Prévias

O Arquipélago de Fernando de Noronha localiza-se a 360 Km da costa do Rio Grande do Norte. É constituído de 21 ilhas e ilhotas, totalizando uma área de 26 km². Na face noroeste da ilha principal, que é protegida dos ventos predominantes sudeste e sul, localiza-se a Baía dos Golfinhos, a enseada de águas mais calmas, transparentes e profundas da Ilha.

O golfinho da espécie Stenella longirostris (Gray, 1928) vive em águas oceânicas tropicais no Atlântico, Pacífico e Índico, atinge aproximadamente até 2 metros de comprimento total e apresenta um padrão tricolor: preto no dorso, cinza nos flancos e branco no ventre. Golfinhos-rotadores podem buscar águas calmas de enseadas em ilhas oceânicas para descansar, como ocorre em Kealakekua Bay (Havaí) e na Baía dos Golfinhos (FN).

A Pesquisa

O Projeto Golfinho Rotador compreende quatro etapas metodológicas simultâneas e interrelacionadas: monitoramento da população de Golfinhos-rotadores, implantação de uma malha da rede de encalhe de mamíferos aquáticos, organização de um banco de dados de avistagem de mamíferos marinhos, definição de estratégias de gestão para o turismo de observação de golfinhos e execução de um programa de educação ambiental em Fernando de Noronha.

O Monitoramento dos Golfinhos-rotadores está dividido em três etapas metodológicas: Monitoramento da Baía dos Golfinhos, Monitoramento da Distribuição Temporal dos Rotadores na Baía dos Golfinhos e Estimativa Populacional dos Rotadores de Fernando de Noronha.

O Centro Golfinho Rotador é responsável por executar em Fernando de Noronha a malha oceânica da rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Nordeste, que tem por finalidade realizar, coordenar e prover, em âmbito regional, estudos oriundos de resgate, reabilitação, reintrodução e soltura de mamíferos aquáticos, bem como registrar a ocorrência de qualquer mamífero marinho em Fernando de Noronha.

A definição de estratégias de gestão para o turismo de observação de golfinhos é feita através da catalogação da frota de barcos do turismo de observação de golfinhos, da avaliação da interferência dos barcos de turismo nos deslocamentos de saída dos rotadores da Baía dos Golfinhos e da Implantação do Fórum Golfinho-rotador.

A quarta etapa é o programa de educação ambiental, onde a figura carismática do golfinho, o grau de preservação do Arquipélago e a formação em educação ambiental dos pesquisadores são utilizados em um programa que consiste de palestras e excursões científicas com ilhéus e visitantes.

Os Resultados

Em 90% dos dias do ano, grupos de 5 a 1200 (250 em média) Golfinhos-rotadores entram na Baía dos Golfinhos, que é utilizada principalmente como área de descanso, assim como para reprodução e criação de filhotes. O horário médio de entrada do primeiro grupo é às 6h10min e horário médio de saída do último grupo é às 13h50min.

A quantidade, o tempo de permanência e a freqüência da presença de golfinhos dentro da Baía, estão diretamente relacionados à velocidade do vento, ao período diário de insolação, a agitação do mar e a disponibilidade de alimento nas proximidades do Arquipélago, e inversamente relacionados à pluviosidade e à turbidez da água na Baía. A ocupação da enseada é maior na estação seca, de agosto a janeiro, quando as condições ambientais são mais favoráveis.

O ciclo diário de atividades dos golfinhos em Fernando de Noronha é o seguinte: alimentação noturna, movimento matinal em direção à Baía, chegada ao nascer do sol e saída à tarde para as zonas de alimentação.

O comportamento de descanso consiste em um lento movimento ascendente-descendente entre a superfície e o fundo da Baía. O horário preferencial de repouso é no final da manhã, das 10h às 14h.

Durante a reprodução, a fêmea é cortejada por dez machos simultaneamente. O mais próximo da fêmea, fica de ventre para cima, se posiciona por debaixo dela e copula rapidamente; depois vai para o fim da fila, vem outro macho e copula, e assim por diante. É mais freqüente se observar a cópula no início da manhã.

A amamentação é freqüentemente a distância observada na Baía, quando o filhote se posiciona de lado e esfrega o seu focinho na fenda mamaria da mãe, de onde é expelido um leite altamente gorduroso. O filhote mama intermitentemente, aproximadamente 20 segundos em uma fenda mamaria, descansa 60 segundos e mama mais 20 segundos em outra fenda, volta a descansar e, depois volta a mamar. Durante o início as manhã a freqüência de amamentação é maior.

Os Golfinhos-rotadores que estão "de guarda", geralmente os machos adultos, têm o hábito de acompanhar as embarcações quando estas navegam defronte à Baia dos Golfinhos ou encontram um grupo de golfinhos em deslocamento.

Estes golfinhos têm hábitos gregários, apresentam um complexo comportamento social e dois sistemas de comunicação: o vocal e o aéreo. O aéreo é composto por diversos padrões de atividades como: saltos e batidas com partes do corpo na superfície do mar, que produzem turbulências características quando o golfinho reentra na água. Os movimentos aéreos refletem o comportamento do grupo e estão relacionados ao ciclo diário dos golfinhos.